26/02/2008

II QUEERFEST SÃO PAULO / BRASIL



Somos tod@s Queerfeest!



Faz mais de um ano que as primeiras idéias sobre um evento queer surgiram. Na verdade sempre existiram, de uma forma ou de outra, mas faz mais de um ano que todas elas se encontraram. Durante um bate papo no bar, durante uma discussão política sobre identidade, sobre vida, e juntas essas idéias se somaram e se materializaram nesse evento que chamamos de Queerfest.


O resultado do primeiro festival foi estimulante. Criar novos espaços de discussão e troca de experiências era um dos objetivos principais. Agora nos deparamos com uma nova questão, continuar a estimular a criação e apropriação desses espaços. Portanto começamos o ano com uma segunda proposta de evento com um tema que achamos de extrema urgência: Mercado, Política e Transgressão.


São três questões indissociáveis entre si, discutir uma necessariamente perpassa a outra. O mercado ainda age tentando se apropriar da nossa luta (e nós continuamos a resistir), transformando-a em produto passível de comercialização acabando por atuar diretamente na reprodução social do capital. A política porque esta é a base das nossas relações e porque esta atualmente se articula de uma maneira perversa com o capital. E por fim transgressão, resistência! Porque nos opomos a toda lógica de mercantilização e categorização.


Nossa vida é muito mais do que um rótulo, e queremos reaver a nós mesm@s, ao nosso próprio corpo. Queremos liberdade de movimento e pensamento, por isso propomos esse tema. Durante os dois dias de evento buscaremos desconstruir todos esses conceitos de corpo, gênero e sexualidade perpetuados pelo capital, e com isso criar algo novo.


Assim como no ano passado queremos reafirmar nossa autonomia, de luta e pensamento, por isso a importância de um encontro faca-você-mesmo, ao mesmo tempo que queremos fortalecer laços de solidariedade com a luta de outros movimentos autônomos. Não estamos sozinh@s na luta contra o capitalismo, e precisamos reaver, além de nos mesmos, diversos outros direitos que nos são tirados. É por isso que esperamos a presença de tod@s no Queerfest, para junt@s construirmos uma alternativa.


"Eu me vejo relutante em dizer "eu sou um homem" ou "eu sou uma mulher", ou "eu fui um homem" ou "eu fui uma mulher" ou "eu me tornei isto ou aquilo"; tão quanto me sinto relutante em dizer "eu sou intersexual", ou "eu sou transgênero" ou "eu sou intergênero", ou "eu sou gay", ou "eu sou lésbica", ou "eu não sou gay"- porque isso não define quem eu sou. São formas de me categorizar em ordem a outros terem poder sobre mim. Este poder é tão significante que todas as forças do Estado e da medicina se envolvem na tentativa de forçar tal conformidade."
Michelle O Brien. How to Define a Term without Defining the Person.

Escrito por maribolheras em 13:10:34 | Link permanente | Comments (0) |
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