Arquivo para Outubro, 2007

por umha rede global contra o império sexual

Segunda-feira, Outubro 29th, 2007
As maribolhis queremos agradecer o tremendo esforço organizativo que estám a levar as compas do Colectiu Gai de Barcelona -jantar, locais para os debates, festas, alojamentos- para receber ao centenar de activistas que tenhem confirmada a sua assistência. E também às nossas amigas/compas/irmás (Roger, Thais, Branda, Mário, Titinette) polo seu tempo e esforço adicado às traduçons maribolhis.

Qualquer interessada nos textos para o debate apresentados por outros colectivos e movimentos como CGB, EHGAM, Panteras Paris, FAGC, Queer Ekintza, Antagonismo gay de Bologna, Queer For Peace, Facciamo Breccia, Panteras Rosa portugal, Guerrilla travolaka, ACT UP Paris…podedes solicitá-los escrevendo para o nosso email (dispomos de traduçons deles em várias línguas)

Talvez não saibamos o que somos, mas sim o que não queremos ser

Queeremos incentivar as vidas alternativas e os espaços autónomos. Apostamos num antagonismo global, que incentive uma multidão de subjectividades sexuais, irredutíveis, ingovernáveis. E é que a nossa diversidade radical não pode ser representada: fufas, putas, sadomasoquistas, pedófilas, michês, trans, butchs, sem papeis, oprimidas sem estado, bissexuais, utilizadoras de drogas, polissexuais, seropositivas, migrantes, mariconços, presas, precárias, pobres… Estamos nas margens e é partir daí que podemos criar alianças insólitas, inventar novas cartografias, experimentar novas dinâmicas mestiças.

Queeremos reinventar a nossa existência e fazê-lo com todas aquelas que lutam por um mundo em que todas possamos florescer, enfrentando as políticas neoliberais ultraconservadoras que precarizam as nossas vidas.

Não acreditamos na política de partidos: não nos representam.

Não acreditamos nas identidades nacionais hegemónicas que fabricam grandes muros de exclusão: todas somos clandestinas. Somos extrangéneros.

Revoltamo-nos contra o consumo. Não acreditamos no “valho o que compro”.

O nosso activismo não trata apenas da sexualidade: entendemos que há uma multiplicidade de lutas e que, na medida das nossas forças e possibilidades, é possível abordá-las de forma transversal.

Denunciamos a existência de uma Heterossexualidade Imperial

Afirmamos que não nos move apenas a luta contra a homofobia. Também existe a transfobia, a lesbofobia e outras formas de opressão. Opressões entrelaçadas, superpostas, opressões que mudam adquirindo sentido próprio. Parte dessas formas de fascismo estão produzidas por um terror ao incumprimento das normas de género; esse é o problema central: o regime que organiza e disciplina corpos, afectos e prazeres. Consideramos a heterossexualidade como um autêntico regime político com as suas leis próprias, as suas tecnologias binárias de género, as suas regulações e repressões. Todo um império de governo dos corpos que se reproduz a si próprio e que castiga quem não se submete a ele. Esta forma de Heterossexualidade Imperial que governa a vida e os corpos é, portanto, muito mais do que uma simples opção sexual, isso é o que desafiamos a partir de múltiplas posições e experiências.

Apesar de as reformas legais antidiscriminatórias serem importantes, estas não podem ser o eixo do movimento. Desconfiamos da igualdade que nos propõem porque se encontra limitada e amordaçada pelos significados de uma Heterossexualidade Imperial, que, repetimos, tem as suas leis próprias, à margem das estruturas jurídicas da forma-estado.

Que tipo de rede reivindicamos?

Partimos das margens, das periferias sexuais, de género, nacionais, económicas ou culturais. Recusamos integrarmo-nos como “movimento” na gestão das políticas “sociais” ou de “igualdade”. Não buscamos a interlocução com o poder nem com quem se congregam em torno dele: às avessas. Buscamos uma transformação radical das relações de poder. Para isso consideramos fundamental construir, aqui e agora, os nossos próprios espaços autónomos: linhas de fuga no império sexual. Espaços ocupados no sistema sexo-género. Subjectividades estranhas que provocam um curto-circuito nos significados binários.

Reivindicamos outras formas de fazer política por meio de um activismo que nos faça felizes, que dê sentido ao presente e que, aqui e agora, sirva para reinventar as nossas vidas. Reivindicamos a festa, a paródia, a acção directa. Apostamos em auto-gerir o nosso lazer, os nossos afectos, a nossa criatividade: essa é a melhor forma de demonstrar que o sexo, os corpos, os prazeres, ou inclusive o seu próprio significado e a relação entre eles, está permanentemente por inventar. Queeremos contribuir para tecer redes a partir de baixo, para criar comunidades ingovernáveis, para transgredir as barreiras entre identidades. Queeremos abrir a Caixa de Pandora: experimentar novas formas de viver, novos desejos. Seduz-nos a ideia de experimentar prazeres que ainda estão por imaginar.

Entendemos esta Rede como uma aposta nas sexualidades minorizadas, na diversidade radical das identidades sexuais, numa forma antagónica de entender e viver os géneros, numa práxis vital dirigida à reapropiação do próprio corpo e dos próprios desejos. Não buscamos construir uma supra-organização que se mova no terreno de jogo clássico do movimento LGBT. Formulamos uma Rede de troca e criação horizontal de conhecimentos, experiências e afeições.

Como proposta concreta, gostaríamos de formular a criação de um banco dinâmico de dados na Rede. Uma ferramenta diferente da actual Web que tome forma de auto-publicação (ao estilo dos IMCs), uma espécie de Indymedia Queer em que possam ser partilhadas novas práticas activistas, materiais gráficos, audiovisuais, textos, etc. Esta ferramenta poderia também servir para trabalhar propostas de campanhas ou acções globais e descentralizadas.

Galiza, 20 de Outubro de 2007

“O consumo responsável deve ser local , próximo à produtora e com os maiores critérios ecológicos, o qual exclui de partida os supermercados e os hipermercados”

Sábado, Outubro 27th, 2007
Há já dous anos que começou a sua andaina Semente, a associaçom de consumo responsável de Ourense, orientada fudamentalmente à coordenaçom de pessoas interessadas no consumo de produtos da agricultura ecológica, mas também na difussom dos valores do consumo ecológico e responsável, através da realizaçom de  excursons, palestras, jantares, jornadas… No começo dum novo curso, que coincide com umha nova aposta da asociaçom para organizar a distribuçom semanal de “cestas” com produtos ecológicos de horta entre as pessoas interessadas, falamos com David, membro de Semente desde os seus inícios. Tirado de http://www.galizalivre.org/



Semente define-se como umha “associaçom de consumo responsável”. Que significa isto?

“Consumo Responsável” envolve um monte de ideias todas juntas. Por umha banda, fai referência a umha clara posiçom anti-consumista nos termos en que utilizamos hoje esse conceito. Quer dizer, num momento da história onde o capitalismo inunda todo, e onde todo remata sendo susceptível de ser comprado ou vendido, de forma que mesmo as pessoas do planeta abandonam a sua condiçom de seres humanos para se converter em seres consumistas.

Ademais deste termo amplo de “consumo responsável” também se encontra a ideia de consumir de forma responsável com respeito à nossa saúde (produtos que nom nos vam a envelenar o corpo porque estám trabalhados com muito carinho e mui pouca química industrial); também é responsável com respeito às produtoras, pessoas que cobram un salário justo, que fam o que querem fazer, que nom som exploradas polas grandes multinacionais, etc…; também é responsável com respeito ao ambiente (em concreto ao chao) onde se trabalham os produtos da agroecologia, já que nom se vê o chao como um lugar ao qual se lhe poda tirar o máximo rendimento independente do que aconteça com ele; é responsável porque procuramos um comércio justo e local, onde as produtoras galegas podan subsistir sem ter que emigrar (e recuperando o campo como forma de vida) e as consumidoras galegas tenhamos produtos de qualidade e da terra. Para nós também é primordial o contacto directo entre a gente que produze e quem consumimos, porque essa proximidade desapareceu com as grandes superfícies e com a imensa exploraçom que surge desde o campo até as nossas cestas da compra por culpa das pessoas intermediárias no processo.

Como podes ver, “consumo responsável” tem umha morea de acepçons… com certeza muitas mais das que eu citei até o de agora

 

Qual é a história e o funcionamento da vossa associaçom?

Semente nasce exclussivamente com a ideia de juntarmo-nos e falar, partilhar inquedanças e debatirmos umha outra forma de consumo por parte das pessoas ourensanas que quigerem e partilharem minimamente estes interesses. A partir de aí, a associaçom mudou várias vezes a sua forma de consumir produtos de horta ecológicos. Na actualidade, estamos a começar um novo modelo que aguardamos que funcione bem: consiste en pedir “cestas da horta” umha vez à semana que as produtoras fam segundo os produtos que tenhem na sua horta esses dias. Deste jeito, comprometemo-nos de forma mais directa coas produtoras e garantimos um consumo constante de produtos de horta e de temporada durante todo o ano. Se leva umha evoluiçom positiva, num futuro próximo trabalharemos conjuntamente com as produtoras na previssom de produtos de horta para cada temporada.


Parece que nos últimos tempos estejamos a assistir a certo “boom” do agroecologismo no nosso país..Que valoraçom fas ao respeito?

A gente entendida neste campo fai a reflexom de que a agroecologia a nível galego vai anos por detrás do ritmo do resto do estado espanhol e da Europa. De forma que mentres por Europa já se chegou a topos elevados de consumo de produtos ecológicos, e nalgúns lugares já se está a produzir um ha descida, na Galiza ainda estamos na etapa de “explossom”…

Assim e todo, se lhe perguntarmos às produtoras, elas dirám, como é lógico, que ainda há muitíssimo trabalho por diante para conscientizar a cidadania da importáncia social-ecológico-política do consumo de produtos respeitosos com o ambiente, as pessoas e a terra. Em linhas gerais, há máis produçom que consumo, de forma que já houvo gente que deixou de produzir por nom ter saída para os seus produtos.

Em todo caso, cumpre ressaltar umha questom importante: nom é o mesmo a produçom ecológica de macro-projectos empresariais que se vendem em grandes superfícies que a produçom ecológica das pequenas produtoras, ainda que os produtos sejan todos “ecologicamente certificados”. Neste mundo onde o sistema sabe por-se máscaras de todo tipo com tal de “ganhar” mercados, nom nos podemos deixar enganar com campanhas de marqueting a nível mundial onde as grandes multinacionais nos convençam de comprar os seus produtos nas suas grandes superfícies apoderando-se dum discurso que nem lhes importa nem o levam a cabo.É básico entendermos que o consumo deve ser o mais local possível, o mais próximo à produtora que pudermos, e com os maiores critérios ecológicos (os quais excluem a actividade de hipermercados e supermercados).


Quais som as avantagens ou os inconvenientes que se encontram na Galiza para a difusom da agricultura ecológica? 

A gente tem um grande achegamento ao agro galego, porque a maioria ten aínda avoas que “prantam algumha cousa”. Isso é algo positivo, já que aínda se tem certa consciência com respeito ao campo. Ainda assim, cada vez existe mais a ideia de que há que fugir do rural, e seguramente esta ideia se perda no tempo.

Em contra podemos citar precisamente que moita gente tem produtos de horta sobre todo em verao, de forma que a época onde mais produçom ecológica há, também coincide com a época em que a gente menos consome produtos de horta, porque sempre há vizinhas ou amigas que nos dam alface, cabacinhos, cebolas, etc…

Fai falta, em todo caso, retomar na sociedade umha consciência ligada ao campo. Se bem é certo que a “volta ao rural” é algo quase-impensável (provavelmente a populaçom rural galega se estabilice em 7% da total, como noutros muitos lugares da Europa, e aspirar e muito mais será dificil), sim é necessário que a gente volva sentir o campo como umha parte primordial na vida do país.


Ponhamos que ganho 600 € ao mês e pago 300 de aluguer…  convence-me de que nom compre os tomates no DIA. 

É dicifil convencer alguém de que gaste quartos nos produtos agroecológicos. Eu nom som quem para fazer tal cousa, porque certamente cada quem sabe como vive (ou mal-vive).

Contodo, gostaria de insistir no facto de que os produtos agroecológicos nom som muito mais caros do que os que nom o som. Quer dizer, existe algo de mito nesta afirmaçom, se bem é certo que sim som “algo” mais caros economicamente. E insisto no de economicamente, porque os produtos ecologicos som muito mais baratos noutros aspectos, a saber: socialmente som muito mais justos; economicamente som muito mais justos; para a nossa saude som muito melhores; para a nossa terra som bem mais enriquecedores (o resto deles nom só nom enriquecen a terra, mas envelenam-na ou secam-na de nutrintes), etc… por tanto, cumpriria perguntar-se: que preço lhe pomos à nossa saude, à saude da terra, à bonificaçom das economias locais, etc..??? Ainda pensamos que é mais cara a produçom ecológica?

Já sei que isto é mui bonito, e que seguramente pouco lhe importará a toda aquela gente que tem de mal-viver com um salário miserento. Mas existe um exemplo claro: às vezes nos vemos obrigadas a trabalhar por umha miséria polo simples facto de que o necessitamos (e mesmo pensamos que se nom somos nós, alguém colherá o trabalho, assim que nom vam a subir os salários de ningum jeito). Pois este bucle pode chegar a se romper graças ao consumo ecológico, já que as productoras receberám um salário mais justo e isso pode ser o início dumha cadeia onde, cada vez, todos os sectores, academ quotas de menor exploraçom. Utopia? Se calhar sim, mas no entanto cuidemo-nos entre nós e cuidemos a terra, que bem o necessitamos…

Os corpos fictícios da biomedicina (Nuria Gregori)

Segunda-feira, Outubro 22nd, 2007

Recomendamos a leitura deste artigo, ai vai o resumo:

“El nacimiento de un bebé del cual no se puede decir si es niña o niño con una simple inspección visual, supone la activación de una serie de resortes médicos y tecnológicos dirigidos a desvelar qué se oculta detrás de tal indefinición genital. Todos los esfuerzos dedicados a elaborar categorías, definiciones, criterios y protocolos para diagnosticar tal ambigüedad, así como el auge en investigación y desarrollo de nuevas tecnologías biomédicas para corregirla, revelan la inquietud que provoca dentro de nuestro orden sociocultural la ambigüedad y lo inclasificable en relación al sexo, al género y a la sexualidad.

Los mandatos de un orden “monosexual” –la idea de que una persona sólo puede tener un único sexo/género y que este es estable para toda la vida- y del conocido como “dimorfismo sexual” –la creencia o convicción dominante en Occidente de la existencia de tan sólo dos sexos posibles, mujer y varón- obliga a confeccionar cuerpos ficticios que eliminan la verdadera variabilidad sexual humana. Será la institución médica y los profesionales médicos responsables de estos recién nacidos, los encargados de buscar qué sexo “verdadero” se esconde detrás de tanta ambigüedad, erigiéndose como responsables del proceso de sexuación en nuestra sociedad”.


O artigo completo em
http://www.aibr.org/antropologia/01v01/articulos/010106.pdf

…perto de 400 pessoas manifestarom-se o passado 7 de outubro em barcelona, convocadas pola Guerrilla Travolaka, contra a disfória de género:

Beatriz Preciado

Domingo, Outubro 21st, 2007
alt : http://www.youtube.com/v/W8wfc2JNMd4

…e umha entrevista maravilhosa:
http://www.arteleku.net/4.0/pdfs/preciado.pdf

texto maria galindo

Sábado, Outubro 20th, 2007

Apresentaçom

Só podo apresentar-me ante vós como umha impostora.

Umha impostora dentro de qualquer e de toda institucionalidade, umha impostora que cobra sentido, valor e força afora, fora da instituiçom, fora do sistema.

Afora e nom adentro.
Nom dentro da galeria, nom dentro da instituiçom, nom dentro da aceitaçom nom dentro da legitimaçom, nom dentro do sistema

Porque o sistema nom o é todo, nom é toda a realidade, nem sequer é umha parte significativa da realidade que nos arrodeia, envolve e desenvolve.

Afora é onde encontro e cobro sentido.

E ainda que pareza umha fantasia adolescente atrevo-me a dizer que: fora do sistema nom está o vazio, vazio com o que te ameaçam e te fam assustar, fora do sistema nom está a nada, ameaçam-nos com expulsar-nos de todas as listas a um vazio onde nada do que façamos, sintamos ou sonhemos conte, nem tenha valor algum. E é precissamente essa ameaça a que desafiamos colocando-nos fora e nom dentro. Porque senom é assim…

Onde podemos entom ubicar todo aquilo que está fora do sistema de privilégios?,

Acaso o sistema já o tragou todo?

Acaso nom hai nada que se ubique fora do sistema de administraçom de violências e reputaçons

Claro que o hai, apostamos por ele e nele vivemos. Procuramo-lo em todo aquilo que desde o centro dos seus interesses o sistema qualifica como ineficiente, nom produtivo, demencial, desagradável, nom confortável, feio, cutre e perigoso.

Qualificaçons que adoptamos como próprias, medos e desejos que adoptamos como próprios e que nos som lentamente impostos e injectados por todos os nossos sentidos sem pausa nem oportunidade de reflexom ou distância. Narcotizados e narcotizadas por esses medos vivemos, conduzidos e conduzidas por esses medos, qualificaçons e manipulaçons vivemos.

Por isso decidimos instalar-nos, ubicar-nos e encontrar-nos afora e nom dentro.

Onde está esse afora?

O afora nom está à margem de, nem é a marginalidade da sociedade, tampouco é a marginalidade da história.
O que se ubica fora do sistema, é todo aquilo que o sistema mesmo ainda nom pudo engolir nem tragar.

Nom som intermediária de ninguém, porque nem sequer podo intermediar as vozes das minhas irmás de Mujeres Creando, vozes complexas e directas que nom admitem intermediaçom nengumha e que nom desejam tampouco intermediaçom nengumha.

Falamos em primeira pessoa, nom somos intérpretes dos movimentos, nom somos portavozes das práticas de umha outra, nom falamos no nome de essa outra, essa outra sou eu mesma quando digo o que penso e o que sinto num cenário que nunca é emprestado.

Nom digo o que a índia pensa
Nom digo o que pensa a puta

Nom digo o que pensa a bolhera

Cada umha consrui a sua linguagem e fala por si mesma.

Vozes directas, vozes expressivas, palavras carregadas de vida e vida carregada de palavras próprias nom emprestadas.

Nós estamos fora do sistema, instaladas no centro das sensibilidades da sociedade, centro desde o qual fazemo-nos sentir até o ponto que temos construido nom um castelo de naipes nem um espelhismo de revoluçom, mas um referente de transgressom e rebeldia para putas, para loucas, para índias, para raparigas, para jovens, para velhas que reneguem dos seus cansaços, para bolheras para umhas e outras rebeldes com quem construimos cumplicidades ininterrompidas.

Oferecemos como tesouro agachado e descoberto por nós as alianças insólitas e proibidas que temos construido.

Oferecemos como originalidade inédita as alianças insólitas que pudemos construir péssie a quem péssie e desbaratando todos os guions para nos abraçar e nos comprometer a umha com a outra.

Oferecemos como proposta revolucionária as alianças insólitas que pudemos construir desbaratando com elas todos os guions atribuidos às nossas identidades fossilizadas e cousificadas, identidades convertidas em muros separadores de amores e de peles.

Estratégias sem patente

Estratégias alheias ao mundo da arte som as que temos,
Estratégias analfabetas e nenguneadas som as que temos
Estratégias evidentes e alegais som as que temos,
Estratégias nossas e de centos de milhares mais

As nossas estratégias som filhas que aprenderom as suas habilidades de outras, somos nesse sentido recriadoras de estratégias.

As estratégias nas que nos inspiramos venhem e provenhem sem fim da rua, do mundo do afora.

Venhem das habibilidades de sobrevivência das mulheres nos seus confortáveis toldos de venda instalados no centro mesmo da sociedade, como umha grande barricada erguida apesar do sol e do frio, que impede o passo da globalizaçom.

Mulheres falsificadoras profissionais Reebock, Nike, Benetton, Sony ou Microsoft. Elas as forjadoras de um mercado negro onde se exibe umha sabotagem artesanal que é um desfile internacional de marcas sem patentes.

Estratégias que estám vivas em Mercados que se convertem numha mescla de apropriaçom, ilusom e resistência que nem os Gigantes do mundo podem controlar, nem a polícia pode amedrentar, nem o Fundo Monetário Internacional quantificar. Mercado desobediente e falsificador de todo, desde computadoras até sapatos, mercado que é estratégia de sobrevivência, gargalhada ilegal.

Inspiram-nos as habilidades de homens e mulheres que com astúcia enganam as legalidades de fronteiras e Estados do Norte. Gentes que sabendo-se proibidas desenvolvem estratégias que conjuram o seu medo, a sua pobreça, a sua cor de pele.

Maria Galindo (trad. nómadas queer)..

Yolanda castaño e Aduaneiros sem Fronteiras

Quarta-feira, Outubro 17th, 2007

Desconhecemos como se tém desenvolvido esta história,
mas gostariamos de apontar umhas reflexons:

a) Muitas estamos até as tetas do pretendido humor que o único que destila é machismo e missogínia. Se a pessoa a criticar fora um homem nom o caricaturizaríamos dando-lhe opçom a vesti-lo com diferentes modelitos. Que este tipo de humor o façam os Tonechos enfim… mas que o façam Aduaneiros?

B) O que já e de todo é inadmissível é umha ristra de comentários directamente insultantes e denigrantes para com umha pessoa. Parece que insultar a Yolanda Castaño é o desporto nacional dos machitos galegos.

Duvidamos que umha simples petiçom para a retirada desses comentários seja a razom para fechar a página de Aduaneiros, mas já sabemos “aprovechando que el Pisuerga pasa por Valladolid…”

Surprendenos realmente todo isto; nom entendemos como Aduaneiros Sem Fronteiras (aos que admiramos) pode jogar a isto. Se queredes criticar a Yolanda castaño ou a quem seja, por favor, utilizade outros argumentos, nom joguedes com as ferramentas do machismo mais burdo e nojento.

Nom todo vale.

teroria e acción queer, por piratasgz!

Segunda-feira, Outubro 15th, 2007
http://blip.tv/file/384253

piratas do género

Sábado, Outubro 6th, 2007

 

alt : http://www.youtube.com/v/k9kl0ggF7-0

7 de outubro, jornada de luita global pola despatologizaçom das identidades trans

Os nossos corpos som linhas de fuga do sistema sexo-género!

Os nossos corpos som as margens do heteropatriarcado, exteriores constitutivos: potência de subversom extraordinária, nom assimilável, nom integrável.

Os nossos corpos som políticos e, ante eles, a medicina e a psiquiatria ficam ao descoberto. A medicina e psiquiatria nom tenhem legitimidade nem autoridade sobre nós; porque fam parte do sistema binário que pretende classificar-nos, categorizar-nos, oprimir-nos.

Exercemos performatividades outras, inclassificáveis, nom normativas.

Fora a disfória de género! Avante a multiplicidade transmaribolhera! Os nossos corpos som ingovernáveis! A reinvençom de corpos, prazeres, afectos e identidades nom tem límite! Nom existem límites na reinvençom das nossas vidas!

 

contra o abandono e a especulaçom !!!

Quarta-feira, Outubro 3rd, 2007
6 de outubro Roteiro polo Dereito á Vivenda en Vigo

BASTA DE DISFORIA!

Segunda-feira, Outubro 1st, 2007

BASTA DE DISFORIA!

Manifestação pela luta Transgénero, Transsexual e Intersexual

Domingo, 7 de Outubro de 2007, 18h - Pl. Universitat (Barcelona)

Manifesto Trans

Nós, activistas transsexuais, transgéneros e intersexuais decidimos manifestar-nos para visibilizarmos as nossas diferentes identidades e para nos fazermo ouvir, denunciando os processos de psiquiatrização que somos obrigados a passar, estabelecidos pelos protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS considera a transsexualidade e o transgenderismo patologias mentais, classificando-os como “Transtornos da Identidade de Género” na classificação Internacional das Doenças (IC-10). Esta classificação de doenças é o modelo de referência usado pelos profissionais de saúde de todos os Estados. Por isso, as pessoas trans de todo o mundo são obrigadas a depender de equipas oficiais de psiquiatras que avaliam a nossa identidade de género, tanto para aceder a tratamentos hormonais como à alteração de nome e de sexo nos documentos oficiais.

O Estado Espanhol assume esta definição psiquiátrica com a recentemente aprovada “Lei de identidade de género” que obriga à obtenção de um diagnóstico de “disforia de género” para possibilitar a alteração do nome e do sexo nos documentos oficiais, excluíndo menores de 18 anos, imigrantes e incapazes mentais.

O nosso género não pode ser avaliado, nem pela psiquiatria, nem por nenhuma outra disciplina e muito menos pode ser penalizado ou condicionado pelo mesmo serviço de saúde que deveria garantir a plenitude do nosso bem-estar físico, emocional e social.

Exigimos um sistema de saúde pública que respeite os nossos corpos intersexuais e transsexuais, sem sermos julgados, sistematicamente, pela moral médica. Diagnosticar “transtorno da identidade de género” é limitar a construção dos nossos corpos e é uma violação das nossas liberdades individuais. A diversidade de identidades é infinita e não pode ser encaixada num modelo homem/mulher. Ao mesmo tempo, questionamos a necessidade de mencionar o sexo nos documentos oficiais.

É imprescindível, para evitar a exclusão a que as pessoas trans estão submetidas, lutar contra a transfobia no âmbito da educação, a nível penitenciário, nos meios de comunicação social, etc., e especialmente no mundo laboral, garantindo o acesso ao trabalho. Paralelamente, é necessário dignificar o trabalho sexual e assegurar condições de saúde e segurança para sua prática.

Agora que a Classificação Internacional das Doenças está a ser revista, é o momento de lutar para que seja retirado o “Transtorno da identidade de género” deste manual, assim como em 1990 a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença por esta classificação. Neste sentido, a intervenção da comunidade médica e o seu posicionamento na luta pela desclassificação do “Transtorno da identidade de género” são fundamentais.

As pressões de género afectam-nos a todos, determinam como nos devemos comportar e relacionar, encaixando-nos em identidades normativizadas, limitadas e preconceituosas. É por isso que esta luta não é exclusivamente trans, é uma luta que nos implica a todo@s.

No dia 7 de Outubro, manifestamo-nos em Paris e Barcelona, pois esta é uma luta internacional, que se constrói a partir de acções simultâneas e coordenadas em diferentes cidades do mundo. Porque não somos doentes mentais por sermos trans, porque não somos disfóricos por construirmos o género fora das normas estabelecidas pela medicina e pelo governo; porque queremos ser ouvidos e nunca mais sermos tratados como vítimas ou como doentes políticos; porque queremos ter o direito de decidir sobre os nossos corpos; os activistas trans que assinam este manifesto exigem: a retirada do “Transtorno de identidade de género” da Classificação Internacional de Doenças e a completa desmedicalização das identidades trans.

Convoca: Guerrilla Travolaka e Activistes Independentes manitransbcn@gmail.com

Para adherirse al manifiesto, como grupo, asociación, entidad o persona individual, enviad un correo a manitransbcn@gmail.com

frente à disfória de género…

EUFÓRIK-ES DE GÈNERE

nem homens, nem mulheres.

Nem disfóricos, nem transtornados, nem transsexuais

queremos viver sem pedir permiso,

sem necessidade de certificados médicos, nem taxas hormonais.

Sem diagnósticos psiquiátricos

de disfória de género.

Nom queremos mais mençons de sexo

nos documentos oficiais.

Rejeitamos a moral médica

e a mercantilizaçom

estatal dos nossos corpos.

Exigimos cirujans e nom carniceiros.

Porque somos resistentes do género,

dissidentes do heteropatriarcado.

Vissibilizamos a existência de tantos

géneros como pessoas hai.

Cremos na beleça da androgínia.

Vivemos além dos binómios

em corpos que existem e sentem.

Nom renunciamos nem ao prazer nem ao desejo

nom temos por que amosar os nossos corpos.

Activistas, guerrilheiros, trans-vissíveis,

trapezistas do género

(volantina da Guerrilla Travolaka)

http://guerrilla-travolaka.blogspot.com/

cartaz da manife de paris:

Batukada em Madrid: